Tivemos aí uma cebola que se estragou. A casa ficou, de um dia para o outro, cheia de mosquinhas.
Dia x
Andava eu “sobe banco, mata mosquinha no tecto, desde do banco, move banco, repete” quando o puto aparece ao pé de mim.
Kyaku: Ké ito?
Papá: O papá está a matar bichos. Vês?
E o papá esborracha mais um com o papel, desce do banco e, para grande horror da mamã, mostra-lhe a mosquinha esborrachada no papel. O Kyaku começa com o “Dá-mi” a apontar para o papel. O papá corta-lhe um quadradinho de papel higiénico e começa o Kyaku:
Kyako: Bixu! (salta com a mão do papel no ar) Pumbassss! (e desata a rir à gargalhada)
Passamos os 10 minutos seguintes a assustar as mosquinhas. Andavamos pela cozinha, viamos um bicho, eu levantava-o ao colo e ele tentava esmagar a mosquinha, acompanhado de um “pumbassss!”. Depois…
Kyaku: O bixu? Não sei! Fugiu! (e olhava para o papel e encolhia os ombros)
Dia x+1
Kyaku está no trono, o papá entra no WC a olhar para o tecto com um papel na mão. Começa o Kyaku a chamar…
Kyaku: Bixo? (com as mãos ao lado da boca, como que para projectar a voz) Bixoooooooooo? Não sei…
Passa para o muda-fraldas. Às tantas, agarra num dos papeis de lhe limpar o nariz, que estava junto a si, inclina-se sobre a bancada ao seu lado e, com um triunfante “Pumbassss!”, bate com o papel na bancada. Levanta o papel e, preso na sua ranhoca, estava uma bolinha de cotão.
Kyaku: Bixo!!!! Kyaku pumbasss no bixo!
Efusivos cumprimentos do papá, um riso nervoso da mamã…
Dia x+n
Novamente no trono, o Kyaku começa, do nada, a chamar pelo bicho. E depois a dizer “Não sei”, encolhendo os ombros. Quando sai, vira-se para o papá:
Kyaku: Papeli! Dá-mi…
Após receber um quadradinho de papel higiénico, vai para a cozinha, a chamar pelo bicho. O papá vai atrás, vê uma mosquinha no vidro da porta do louceiro, aponta, ele indica que o alvo está identificado, Kyaku é elevado nos ares, “Pumbasssss!” e fica um rasto de tripas de bicho no vidro.
Ambos olhamos para o papel e, lá estava, o bicho! Segue-se a festa, o mostrar à mamã, a fotografia… Começa ele a dizer que é “po’caria”, “deita na sanita” e lá vai ele mandar o bicho para o Tejo.
Fica o orgulho de um pai pelo primeiro sucesso do seu filho numa tarefa vital para a sua vida posterior como casal - eliminar os insectos que entrem em casa.
Fica a nota da mamã “Não matou o bicho, apanhou o bicho…”. OK… O Kyaku apanhou o bicho! O papá foi depois apanhar as tripas que ele deixou no vidro