quarta-feira, março 28, 2007

Meninas e Meninos, é o Circo do Condomínio!

Ontém foi mais uma Assembleia Geral lá do condomínio. Mais uma vez fui o presidente da mesa, tendo-me voluntariado pois ter uma parte activa na AG faz-me sentir mais útil e porque parece que as AG’s também são mais rápidas do que eram antes.

Esta AG estava a correr bastante bem, pontos a serem debatidos e votados rapidamente, poucas divagações ou outras coisas menos eficientes. Penso que o facto de o condomínio estar a entrar nos eixos e as pessoas se começarem a conhecer favorecia este clima positivo.

Eis que chega um condómino novo, já durante a fase dos “outros pontos”, que decide começar a destabilizar a reunião, ser agressivo com pessoas, faltar consecutivamente ao respeito aos presentes mas especialmente à mesa e tentar que toda a AG parasse para se discutir as coisas que ele queria.

Parte da agressividade e falta de respeito dele para comigo em particular deveu-se ao facto de ele pensar que eu pertencia à empresa de administração e não que era apenas um condómino a presidir à mesa. A outra parte deveu-se mesmo ao facto de mais do que uma vez (e mais do que as que gostaria) me ter visto obrigado a fazer-lhe chamadas de atenção à falta de respeito que estava a demonstrar pelos orgãos e demais presentes ou mesmo para o mandar calar.

Quem me dera saber se há algo mais que eu pudesse fazer além de lhe tirar a palavra (que ele ignorava e continuava a falar) e tentar humilhá-lo publicamente com chamadas de atenção à sua falta de educação e postura cívica (estas tentativas ele sentia, pelo menos isso)…

Conclusão… Quando o circo tomou proporções demasiado surreais para serem aturadas à 1h da manhã, os ainda presentes levantaram-se em bloco e abandonaram a sala. O que me permitiu encerrar a AG por inexistência de interessados, ignorando nesse processo o tal palhaço que continuava a gritar algo.

Na verdade… Não acho que ele seja um palhaço. Acho que ele é um animal adestrado, que ainda não está bem treinado e, como tal, não deveria ter aparecido em público. Infelizmente, temo que o adestrador já não vá a tempo de fazer nada com aquele urso. Sempre resta a esperança de que ele decida não ir às próximas reuniões…

Publicado por HappyGuy em 17:19:14 | Link | Comentários desativados

sexta-feira, março 9, 2007

Falta de Produtividade?

Fala-se muito que Portugal sofre de problemas de falta de produtividade. Que comparados com outros países, bla, bla. E realmente isto é verdade. A todos os níveis. Há exemplos em grandes empresas, mas também os há no nosso quintal.

Só porque há muito não dou uma na PT… Lembro-me da falta de produtividade daquelas reuniões de trabalho, em que o que poderia ser decidido em 45m levava 3 horas porque havia falta de foco e porque se perdia tempo imenso em guerrinhas estúpidas inter-departamentais (ou inter-empresas).

Mas lá no condomínio onde moro ocorreu agora uma muito mais hilariante, para quem se consegue rir destas coisas. O condomínio tem como assalariada a contrato (uma coisa decidida unilateralmente pelo administrador do condomínio quando este ainda não estava a funcionar correctamente, ou seja, sem participação dos condóminos) que tem como tarefas garantir a limpeza do dito empreendimento.

Infelizmente, essa senhora sente-se protegida pelo seu contrato de trabalho e por isso quando lá está passa a maior parte do tempo na conversa, a espalhar boatos. Ou já foi mencionado que vai para o café, por períodos superiores a meia hora (boato que eu próprio não posso confirmar…). No fim de contas, como não tem controlo directo, acha-se intocável. Não cumpre as suas tarefas e diz depois que é demasiado trabalho para uma pessoa só.

O que acaba por suceder é que o patamar do meu andar, por exemplo, apenas é limpo uma vez a cada 2 ou 3 meses, dependendo normalmente a limpeza da aproximação de uma Assembleia Geral, uma queixa ou se a tal Srª vê que não há dinheiro para pagar o ordenado dela a horas e decide começar a pedir a certos condóminos para lho adiantarem. Outro dia apresentei queixa à empresa que faz a administração, visto já passarem mais de dois meses desde a última limpeza e esta ter sido deficiente.

No próprio dia estes falaram com a Srª. No dia seguinte de manhã eu tinha o meu patamar lavado. Com detergente! E os elevadores e o hall do prédio. Tanto desconfiei que fui, de joelhos, cheirar o patamar do piso de cima e o do piso de baixo do meu. Nenhum tinha tido direito a lavagem com detergente…

Conclusão… Esta senhora só trabalha quando ameaçada. Muitos dos trabalhadores que têm falta de produtividade têm a mesma mentalidade. Emprego que julgam “intocável”, um par de desculpas esfarrapadas e muita preguiça. Felizmente, um mapa de trabalho exequível, um processo disciplinar pelo seu não cumprimento e mais um período de prova permitem o despedimento com justa causa…

Até porque, convenhamos, garantindo que a pessoa só trabalha 6 horas por dia (em vez das 8 para que é paga), é possível desenhar um mapa de trabalho que garante que os patamares são lavados a cada 2 semanas, os halls e elevadores todas as semanas, etc… Acho é que vou ter eu de desenhar esse plano, testar a sua exequibilidade (para dar força ao meu argumento) e apresentá-lo em Assembleia… Acho que este fim-de-semana vou ter trabalhinho…

Publicado por HappyGuy em 12:44:01 | Link | Comentários desativados

quinta-feira, março 8, 2007

Pobres e mal agradecidos?

Pobres e mal agradecidos? Ou uma minoria a ignorar?

Há algum tempo que andava com vontade de me queixar disto… Desde 2000 que participo em projectos de Open Source, dando um pouco do meu tempo, em voluntariado, à comunidade. Tenho dois objectivos: 1) retribuir parte do que recebo, quer pessoal quer profissionalmente, em software, ferramentas e conhecimento e 2) contribuir para a divulgação de Software Livre em Português e possibilitar a mais portugueses a utilização de um computador no seu idioma nativo. Com base nisto, a minha contribuição tem sido sob a forma de traduções do interface de algum Software Livre.

Acontece que nesse trabalho vai um dos meus endereços de email, para que me possam contactar a apontar gralhas e outros erros. Verdade seja dita, recebo menos de 10 mails por ano com tal tipo de queixas. Os poucos que recebo, quase sempre começam por agradecer o meu trabalho.

O que me faz confusão é outra coisa. É a quantidade de malta (principalmente brasileiros, diga-se em abono da verdade), que agarra nesse meu email e me adiciona à lista de amigos do MSN. E sem qualquer tipo de preocupação para o facto de o meu nome público estar “HappyGuy @ Work” or “@ Home”, decidem que me podem interromper, numa linguagem semelhante a português mas cheio de kkk, a pedir apoio e explicações para tudo desde como utilizar uma aplicação que traduzi até como configurar servidores ou por o computador deles a falar com o telemóvel por bluetooth! Inacreditavelmente, algum do apoio pedido até era para os ajudar em questões profissionais deles!

Mas o pior até vem depois… Quando lhes digo que ter traduzido não significa que faça Help-Desk, lhes dou links de manuais para lerem e listas de email para se inscreverem, alguns ainda se queixam e refilam. Ou seja… Receberam o donativo em forma de traduções (sem as quais não conseguiriam utilizar as aplicações por desconhecerem inglês). E ainda exigem suporte e refilam quando o recuso (ou, a gozar, lhes pergunto se querem o meu NIB para depositar em pré-pagamento 50€ pela primeira hora de suporte).

Na verdade, apesar deste tipo de situações ser 3 ou 4 vezes mais frequente que os mails de agradecimento, acredito que sejam uma minoria não representativa mas muito vocal. E, mais atento ao fenómeno, reparei também que há muitas outras situações onde pessoas estão a receber serviços ou produtos de borla e ainda se põem a fazer exigências ou a queixar. É o site/forum que não está acessível quando querem, é a aplicação Open Source que não suporta sincronização com o novo modelo de telemóvel que compraram,  etc…

A maioria das pessoas que estão a oferecer um produto ou serviço à comunidade (seja por que motivo for) ignoram esta minoria e seguem em frente. É isso também que eu faço. Mas pergunto-me quantas contribuições e projectos não morreram (ou não chegaram a ser tornados públicos) porque os seus autores/líderes não estiveram para aturar este tipo de pessoas.

Publicado por HappyGuy em 14:21:29 | Link | Comentários desativados