Quinta-feira, Março 8, 2007

Pobres e mal agradecidos?

Pobres e mal agradecidos? Ou uma minoria a ignorar?

Há algum tempo que andava com vontade de me queixar disto… Desde 2000 que participo em projectos de Open Source, dando um pouco do meu tempo, em voluntariado, à comunidade. Tenho dois objectivos: 1) retribuir parte do que recebo, quer pessoal quer profissionalmente, em software, ferramentas e conhecimento e 2) contribuir para a divulgação de Software Livre em Português e possibilitar a mais portugueses a utilização de um computador no seu idioma nativo. Com base nisto, a minha contribuição tem sido sob a forma de traduções do interface de algum Software Livre.

Acontece que nesse trabalho vai um dos meus endereços de email, para que me possam contactar a apontar gralhas e outros erros. Verdade seja dita, recebo menos de 10 mails por ano com tal tipo de queixas. Os poucos que recebo, quase sempre começam por agradecer o meu trabalho.

O que me faz confusão é outra coisa. É a quantidade de malta (principalmente brasileiros, diga-se em abono da verdade), que agarra nesse meu email e me adiciona à lista de amigos do MSN. E sem qualquer tipo de preocupação para o facto de o meu nome público estar “HappyGuy @ Work” or “@ Home”, decidem que me podem interromper, numa linguagem semelhante a português mas cheio de kkk, a pedir apoio e explicações para tudo desde como utilizar uma aplicação que traduzi até como configurar servidores ou por o computador deles a falar com o telemóvel por bluetooth! Inacreditavelmente, algum do apoio pedido até era para os ajudar em questões profissionais deles!

Mas o pior até vem depois… Quando lhes digo que ter traduzido não significa que faça Help-Desk, lhes dou links de manuais para lerem e listas de email para se inscreverem, alguns ainda se queixam e refilam. Ou seja… Receberam o donativo em forma de traduções (sem as quais não conseguiriam utilizar as aplicações por desconhecerem inglês). E ainda exigem suporte e refilam quando o recuso (ou, a gozar, lhes pergunto se querem o meu NIB para depositar em pré-pagamento 50€ pela primeira hora de suporte).

Na verdade, apesar deste tipo de situações ser 3 ou 4 vezes mais frequente que os mails de agradecimento, acredito que sejam uma minoria não representativa mas muito vocal. E, mais atento ao fenómeno, reparei também que há muitas outras situações onde pessoas estão a receber serviços ou produtos de borla e ainda se põem a fazer exigências ou a queixar. É o site/forum que não está acessível quando querem, é a aplicação Open Source que não suporta sincronização com o novo modelo de telemóvel que compraram,  etc…

A maioria das pessoas que estão a oferecer um produto ou serviço à comunidade (seja por que motivo for) ignoram esta minoria e seguem em frente. É isso também que eu faço. Mas pergunto-me quantas contribuições e projectos não morreram (ou não chegaram a ser tornados públicos) porque os seus autores/líderes não estiveram para aturar este tipo de pessoas.

Publicado por HappyGuy em 14:21:29 | Permalink | Sem Comentários »

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Chamem o 112! Afinal é o iCoiso!

Chamem o 112! O “Mas este” está a sofrer um ataque, em convulsões, no chão da sala!

A marca “iPhone” pertence à Cisco… Desde 1997 (através de uma empresa que compraram em 2000). Este é o link para o registo da marca. “Toda a gente” (envolvida) sabia, havia negociações, maso lançamento foi feito sem os direitos necessários e agora vai ser iniciado um processo em tribunal, tal como esta notícia em Português indica.

E agora? Começamos a fase de concurso para inventar um novo nome, a tempo de re-endocrinar meio planeta antes dos lançamentos oficiais nos EUA (1º semestre de 2007) e na Europa (2º semestre de 2007).

Até lá, tenho aqui uma pessoa em estado de choque, a preparar-se para depois entrar numa fase de negação, porque “a malta da Cisco é muito má e não tinha nada que estragar a vida à Apple”.

Publicado por HappyGuy em 13:31:33 | Permalink | Sem Comentários »

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Saíu o iPhone!!!!!11!!1!11!!

Ele parece um cãozinho quando o dono chega a casa, quase que se urina de alegria… Saíu o iPhone! Enquanto vai revendo pela enésima vez (em vez de estar a trabalhar) o podcast (ou whatever) com a demo do lançamento, vai comentando… Este vosso (não muito) humilde autor não se consegue abster de ir respondendo…

- Isto é um avanço tecnológico enorme, um produto que o mercado estava a pedir, vai revolucionar a forma como comunicamos <espasmos nervosos da excitação>…

- Mas isso não é mais que um telefone com PDA

- Mas este não tem botões, é tudo no ecrã táctil

- Mas isso também o Qtek e o HP/Compaq iPaq e qualquer outro PDA

- Mas este tem um sistema operativo e aplicações office a sério

- Mas isso também o QTek, Nokia N800, HP/Compaq iPaq… <nota: se pudermos chamar “sistema operativo a sério” ao Windows CE que infecta todos os meus exemplos excepto o N800, que corre sobre linux>

- Mas este permite-te estar no messenger

- Mas isso também todos os telefones/PDA com Windows CE <nota: só mais tarde soube que o N800 também>

- Mas este também dá para ouvir música, é como se também fosse um iPod

- Mas  isso qualquer telemóvel com cartão de memória e auriculares hoje em dia permite

Nesta altura o “Mas este” começa-se a passar, não porque está extremamente excitado com um produto inovador que não oferece nada que não exista há já pelo menos 3 anos (acho que o Qtek e os iPaqs são de 2003 ou 2004); mas sim porque não consegue fazer-me ver que isto é do melhor que há! Que é uma importante ferramenta de trabalho, possivelmente que até deveria ter um… E nesta altura utiliza o argumento para o qual eu não tenho, realmente, resposta…

- Mas este tem uma melhor integração com o hardware! <nota: a minha primeira reacção também foi “o quê?!?” mas ele prosseguiu e explicou…> Como são eles que fazem o software e o hardware, o iPhone sincroniza e integra-se perfeitamente com o iMac, blá, blá, blá

Realmente… o “Mas isso” não tinha argumentos para esta. Nenhum outro telemóvel/PDA integra bem com MacOSX. Na verdade, porque haveria de? Quem realmente utiliza MacOSX para trabalhar? Mais a sério… As marcas dos outros telemóveis/PDAs não vêm mercado que justifique o desenvolvimento de software para Mac, a Apple não o faz porque estava há mais de um ano a preparar-se para lançar o iPhone. E na verdade, este é o grande argumentopara levar os 5% de utilizadores Mac a adquirirem também o iPhone: Podem sincronizar a agenda do telemóvel com a agenda do correio electrónico no MacOSX tal como os utilizadores de Windows (e alguns em Linux, dependendo do telemóvel) já fazem há vários anos. Sim… Isso deve justificar os mais de 500€ que o telemóvel vai custar quando cá chegar…

Publicado por HappyGuy em 14:32:37 | Permalink | Sem Comentários »

Terça-feira, Dezembro 5, 2006

A pele fica mais brilhante…

Conversa ao almoço… O “trendy” (leia-se, a pessoa extremamente insegura, com problemas de afirmação, que segue todas as modas numa tentativa de se sentir integrado, que se preocupa com tudo menos o que devia - trabalho) disse que tinha deixado de fumar. Já não fuma há quatro dias!

Pergunta-lhe o chefe: Porque tomaste a decisão? Ordens do médico ou porque te apeteceu?

(Pensei eu: porque deve ser a nova moda do pessoal na idade dele…)

Responde ele: Porque sim. Porque ao fim destes anos todos a meter tóxicos para dentro achei bem. Porque … <balbuciados alguns sons> … A pele fica mais brilhante, mais bonita.

Ainda bem que eu não estava a beber coca-cola, senão tinha-me saído pelo nariz… 

Publicado por HappyGuy em 15:46:19 | Permalink | Comentários (1) »

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Pontos de vista…

Do mesmo modo como se diz que, perante um copo de água pela metade, o optimista o vê meio cheio e o pessimista meio vazio, sendo tudo uma questão de pontos de vista…

Quando eu era estudante, classificavam-me de “perfeccionista”.

Agora, depende também dos pontos de vista. Os que beneficiam da minha análise/comentários/alterações/trabalho continuam a dizer que sou “perfeccionista”. Os que têm mais trabalho para “corrigirem” o que não fizeram bem à primeira ou têm de gerir o conflito gerado entre mim e as pessoas que ficaram descontentes com a minha análise/…/… dizem que eu sou “picoinhas”.

Isto torna-se hilariante quando chegamos ao ponto em que me pagam para ser “perfeccionista”, optimizando sistemas e processos. Mas a partir do momento em que quem me paga teria também de perder maus hábitos e repensar atitudes ou estratégias, passo a “picoinhas”.

Pelos vistos, tenho de aprender a fazer um trabalho “bom o suficiente” em vez de “o melhor que sou capaz”…

Se calhar devia era ter seguido uma carreira académica. Podia ser que nunca deixasse de ser “apenas” “perfeccionista”. Mesmo que me tornasse desligado da realidade. Afinal de contas, quem estará mais desligado? O que idealiza conceitos e tecnologias que não têm viabilidade económica (pelo menos a médio prazo) ou o que idealiza alterações de optimização, acreditando que todos vão passar a abdicar de coisas que tomam como garantidas ou passar a ter mais trabalho apenas porque isso é melhor para a empresa que lhes paga?

Publicado por HappyGuy em 11:50:09 | Permalink | Comentários (2)

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Cegos que não querem ver

“Mas…”

Odeio isto… “Olha, dá-me o teu feedback sobre este assunto”. Após receberem um feedback sincero, mas que não vai de encontro às suas espectativas/desejos, argumentam e começam a frase por “Mas…”.

“Olha, lê a proposta e diz-me o que achas.”; “Acho que tem estes pontos que podiam ser melhorados assim por causa disto”; “Sim, MAS está assim porque…”

“Mas… ” o caraças! Se não querem críticas, não me façam perder tempo a ler, analisar, responder, fundamentar, quantificar e explanar. É que o meu tempo é valioso. Mesmo que se não estivesse a escrever esse mail estivesse a jogar Sudoku. Porque estaria a relaxar. E o descanso vale ouro. Além de que o Sudoku está a começar a vilmente controlar parte da minha vida…

Na verdade, o mais curioso é que ao longo da minha vida profissional, que não sendo muito longa, tem sido bastante intensa, reparei numa tendência. As pessoas que pedem opiniões e quando lhes desagradam os comentários começam com os “Mas…” são sempre as under-performers. São sempre as menos capazes. As que em momentos de crise não seriam capazes de aguentar o barco. Aquelas que, no fundo, profissionalmente tenho dificuldade em respeitar por não as considerar profissionais. Prefiro a arrogância de uma pessoa que não pede opiniões já que está cheia de sí própria do que a cretinisse de uma pessoa que pede opiniões para depois utilizar as que lhe agradam para se apoiar (insegurança?) e “Mas…”‘ar todas as que lhe são contra, muitas vezes sendo incapaz de fundamentar os “Mas…” ou de desfazer os fundamentos que me dei ao trabalho de explanar.

É a história do ser que sempre viveu num pequeno planeta, tendo por referência outro pequeno ser. Ambos nada sabiam mas tinham a mania e o rei na barriga. Quando os extra-terrestres chegaram ao planeta deles, o orgulho não lhes permitiu aproveitar o conhecimento superior. E ignorando ou “Mas…”‘ando, lá vão metendo o pé em poça atrás de poça. Mas agora com um chato extra-terreste atrás a espicaçar.

Depois dizem que eu sou mau… Provocam-me!

Publicado por HappyGuy em 19:55:55 | Permalink | Sem Comentários »